quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
CHUVAS EM TERESÓPOLIS
As imagens acima, são de Santa Catarina. Em 2008, um fenômeno semelhante ao que presenciamos nos últimos dias na região serrana do Rio de Janeiro, ocorreu em uma região rural afetando a população e ocasionando todo tipo de perdas. Sabemos que isto acontece, e que irá acontecer de novo, e há quem diga que só não sabemos onde (?) e quando (?). Com o conhecimento que temos hoje é difícil concordar com isto. Não se trata de falta de informação, tecnologia ou investimento em infraestrutura, mas de decisão.
Estas imagens são de uma foto encontrada por bombeiros e voluntários que trabalhavam nos escombros de uma propriedade completamente destruída na região do Morro do Baú em 2008. Nela é possível perceber que aquela propriedade já havia sofrido uma inundação anteriormente. Este fato, por si só, já gera conhecimento suficiente sobre a vulnerabilidade existente naquele local. Da mesma forma não faltam relatos históricos e estudos sobre áreas vulneráveis a diversos fenômenos climáticos, mas a decisão acerca da sua ocupação existe. Então, por que as pessoas estão lá?
Para maiores informações sobre mapeamento de vulnerabilidade, acesse aqui
Em relação ao tempo, hoje é possível prever alguns fenômenos em tempo hábil para minimizar as perdas humanas. Exemplos existem e mais uma vez o que nos falta é decisão.
Na Europa: (http://www.meteoalarm.eu/ e http://floods.jrc.ec.europa.eu/flood-risk.html")
No Brasil: (Santa Catarina e Rio de Janeiro)
Esta “decisão”, que vem sendo anunciada pela mídia como responsabilidade de governo, deve ser distribuída por toda a sociedade. Se estas áreas são ocupadas por pessoas de baixa renda e baixa escolaridade, assim o são por desconhecimento ou impossibilidade financeira. Estas pessoas decidiram ocupar estas áreas para manterem-se próximas ao lugar que melhor lhes provêm sustento. E em muitos casos estas decisões são “direcionadas” por sistemas sociais, econômicos e políticos com interesse próprio. Por outro lado, se as áreas vulneráveis são ocupadas por pessoas influentes, informadas e ricas, como o caso do Vale do Cuiabá, o poder econômico é que impera. A decisão aí já é por prazer, status, descanso ou mesmo para usufruir dos bens proporcionados pelo capital. Neste caso são decisões particulares e conscientes.
As leis ditas “ambientais” não são criadas para atrapalhar o “desenvolvimento”, mas para tentar organizar um processo de apropriação da Natureza que nos permita manter o status quo incentivado pelo conceito de “qualidade de vida” capitalista. Elas são para todos, mas não são cumpridas por decisão.
Decidir por fazer obras de contenção de encostas é decidir por permanecer em áreas de risco. Decidir por não informar a população sobre os riscos de ocupar uma determinada região é decidir por condená-la. Decidir por morar em uma encosta, beira de rio ou de praia, consciente dos riscos, é assumi-los e não ter o direito de reclamar de prejuízos que venham a ocorrer. Decidir por investir grande volume de recursos em sistemas, instituições e infra-estrutura sem investir na capacidade de decisão é continuar fazendo mais do mesmo.
Mas para que as decisões dêm resultado, é preciso credibilidade. Um exemplo extremamente positivo, de baixo custo e independente de alta tecnologia ocorreu em Areal, onde o prefeito, através de um carro de som, solicitou à população que deixasse das áreas de risco (Leia mais aqui). A credibilidade depende da participação ativa da população no processo de tomada de decisão. Para isso é necessário criar uma cultura de atendimento às normas legais e aos avisos e alertas sobre tais fenômenos, que só é possível através da educação.
Com educação é possível, ainda, partilhar as responsabilidades sobre a ocupação das áreas de risco. Comunidades com baixo nível educacional que ocupam estas áreas, são responsabilidade do governo, agora pessoas instruídas, também devem ser responsabilizadas.
O Brasil hoje conta com pessoas e tecnologia de ponta para lidar com estas catástrofes, o que nos falta é decidirmos se iremos colocar isto em prática ou não.
O evento ocorrido em 2008 em Santa Catarina foi amplamente noticiado na imprensa, instantaneamente, como ocorre hoje com Teresópolis, Itaipava e Nova Friburgo. A população se mobilizou, rapidamente correntes solidárias se formaram, doações materiais e em dinheiro chegaram e parte dos prejuízos materiais foi abrandado por esta corrente. Assim é, o Brasileiro é sensível ao sofrimento alheio, e pronto a colaborar e ajudar com sua generosidade.
As chuvas de novembro de 2008 causaram inúmeras perdas ao Estado. Perdas estas de grande contingente humano que trouxeram dor e sofrimento, principalmente para os habitantes do Vale do Rio Itajaí. Foram grandes também as perdas materiais, tanto de bens privados como do patrimônio público. As regiões mais afetadas por enchentes e deslizamentos foram os municípios de Ilhota, Luiz Alves e Gaspar. Trata-se de uma área estritamente rural até certo ponto semelhante à área fluminense afetada onde se concentram muitos produtores rurais.
Diante deste quadro (2008), a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – Epagri prontificou-se a auxiliar o poder público no que fosse necessário para o atendimento aos desabrigados. Assim a Epagri organizou uma força-tarefa que imediatamente se fez presente naquela região e disponibilizou corpo técnico e todo o seu potencial de geração de informações. Através do Centro de Informações Ambientais e de Hidrometeorologia – Ciram, foram mobilizados técnicos das áreas de meteorologia, hidrologia, solos e geoprocessamento, e toda a base de dados hidrometeorológicos
Este foi um belo exemplo do que poderia ser feito em todas regiões sabidamente em zonas de risco ambiental. Pergunta-se porque demora tanto para se aprender com as lições do passado e a negar a realidade. Por conta de sua geografia espetacular e tão particular, a cidade do Rio de Janeiro - bem como a região serrana, é vítima constante dos efeitos de chuvas-relâmpago as vezes torrenciais que causam enchentes, deslizamentos e tanto prejuízo material e perdas humanas.
Logo após o evento em Santa Catarina, o governo do estado criou um grupo técnico científico para avaliar o ocorrido e propor medidas preventivas e de emergência. Mas apesar disso, até hoje faltam decisões. E o mesmo pode acontecer com o Rio de Janeiro.
Aparentemente, a Defesa Civil estadual, não está preparada o suficiente para alertar os 92 municípios fluminenses e os órgãos municipais de defesa civil de modo a ativarem seus planos de contingências em tempo. Uma ‘explicação’ dada pelo governo é que a resolução dos dados meteorológicos espaciais não é suficiente, para prever com precisão as áreas onde as piores condições meteorológicas ocorrerão. Mas isso é só uma pequena parcela do que deve ser feito.
Com a falta de comunicação ágil e eficiente necessária entre os diferentes órgãos e níveis de administração e a população em cheque, uma sugestão útil a se considerar é aquela oferecida pelo prof. Ernani Nascimento que sugere que ‘alguns moradores tenham treinamento e equipamento necessário’ como pluviômetros para acompanhar a situação e soar o alerta para a população local. Além de compartilhar as decisões e responsabilidades com toda a sociedade.
Philip Scott e Luiz Vianna
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Observando como as áreas alagáveis continuam sendo aterradas nas margens da BR-101, bem como nos municípios do litoral norte do Estado de Santa Catarina, leva-nos a temer a gravidade dos efeitos de um próximo evento climático extremo como o de 2008. A topografia está sendo alterada continuamente. Os morros estão sendo eliminados e as várzeas aterradas. Grandes galpões são construídos, loteamentos implantados e a população aumentando na região. As encostas continuam a ser ocupadas, de forma regular ou não. A Secretaria de Estado do Planejamento finalizou em 2010 o Diagnóstico Ecológico Econômico do litoral centro norte de Santa Catarina, adaptado ao macrozoeamento dos Planos Diretores Municipais. É uma tentativa de planejar o uso da terra e do mar, como preconizado pelos Planos Nacional e Estadual de Gerenciamento Costeiro. Não observamos, no entanto o cumprimento das leis ambientais e, por vezes, quando uma lei ambiental está atrapalhando algum empreendimento econômico, simplesmente as administrações públicas se unem aos empreendedores e modificam esta lei, como é o caso dos Planos Diretores dos Municípios de Balneário Camboriú e Itajaí, onde se ampliaram as alturas permitidas de edifícios em áreas antes reservadas a uma ocupação menos intensa.
ResponderExcluirNaturalmente os lucros são privatizados e os prejuízos socializados. O aperfeiçoamento das previsões climáticas são fundamentais, mas não poderá evitar por si só gravidade da próxima catástrofe.
Parte do problema e que todos estes planos, diagnosticos feitos pelo governo e pagos pelo publico sao inacessiveis ao publico. Porque nao colocar tudo em, por exemplo Google Map? La ficaria claro e disponiveis a todos onde pode-se e nao construir, onde e inundavel, area de risco etc.
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