quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Perdidos no Espaço

http://www.youtube.com/watch?v=Dkn1vhCFspI

Enquanto outros acontecimentos em escala nacional e internacional urgem a atenção dos jornalistas cariocas, a tragédia serrana já cai rapidamente no esquecimento. No entanto chamo atenção para um vídeo postado no YouTube que oferece uma idéia da gravidade ambiental. Este foi produzido pelos especialistas em modelagem numérica de terreno (DEM) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com imgaens cedidas pela United States Geological Survey (USGS). O resultado é um modelo que confere perspectiva 3D e possibilita um “vôo virtual” sobre a região afetada. O modelo foi elaborado com auxílio do DEM disponível no Google Earth e a primeira imagem sem a interferência de nuvens após o desastre, obtida no dia 20 de janeiro pelo satélite de alta resolução GeoEye'.

Embora a disponibilização do vídeo já é um grande avanço no sentido de subsidiar a
Defesa Civil do Rio de Janeiro, a trabalhar melhor nesta situação de emergência, aparentemente apenas um lote de imagens de média resolução foi entregue uma semana depois ao desastre. As imagens de alta resolução, que devem orientar o trabalho de campo da Defesa Civil, foram entregues na quarta-feira (2/2). De maneira geral, o grande público e pesquisadores que poderiam estar já começando seus trabalhos de análises espaciais, continuam 'perdidos no espaço', com apenas imagens de baixo poder analítico para downloadcomo indicado em  post anteiror. 

Não seria urgente a disponibilização de mais imagens de melhor qualidade? Existem ONG's que trabalham com geoprocessamento que poderiam dar uma mãozinha?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

As chuvas e o Imposto Territorial Rural

Fazendas erodidas pagam menos ITR - Foto Paulo Estevão, Vale do Cuiabá, RJ - 2011.
















Como as imagens dos posts anteriores deste blog bem ilustraram, os temporais de janeiro 2011 alteraram significativamente o ‘uso do solo’  na região serrana do RJ. Em  alguns casos, o ‘solo’ simplesmente foi embora, morro abaixo, na forma de lama e deslizamentos! O que restou foram crateras, voçorocas, sub-solo exposto, urgentemente pedindo para ser recuperado antes de mais chuvas!

Entre os atores-chaves afetados nesta estória catastrófica estão os proprietários rurais, que devem declarar anualmente seu Imposto Territorial Rural o ITR. Geralmente deveriam contar com o apoio de Engenheiros Agrônomos, Engenheiros Florestais, Topógrafos ou profissionais da Assistencia Técnica Rural mais próxima. Na maioria dos casos, para esta declaração, contam mesmo é com a estimativa do olhômetro, ou a experiência do capataz residente responsável. Assim, a estimativa das áreas de superfície usadas como como pastagens, relorestamentos, Área de Preservação Permanente (APP) ou Reserva Florestal é informação essencial para pagar o menos possível ao fisco. Afinal, a Receita Federal em seu Manual de Declaração (baixe o programa aqui) mesmo nos informa corretamente que há uma série de situações de uso do solo na propriedade rural para as quais nenhum imposto é pago por serem áreas ‘improdutivas’ no sentido de produção agropecuária.

Atualmente, todas as propriedade rurais atingidas pelas chuvas na região serrana e que sofreram alterações significativas em seu uso do solo, devem rever sua declaração de 2010 e a nova para 2011 pois certamente estarão com áreas que merecerão a isenção prevista.
Para uma análise bem baseada, nada como uma imagem de satélite IKONOS que tem a resolução de 1 metro. Isto é. Cada pixel tem 0,9m x 0,9 m ! Dá até pra contar os bois no pasto! Uma imagem recente poderia ser uma boa solução. Com ela, pode-se bem distingüir as diferentes ‘usos do solo’ e se a imagem estiver inserida num Sistema de Informação Geográfica (SIG), a tarefa torna-se mais produtiva com a estimativa bastante precisa do número de hectares afetados… Estas imagens de satélite, muitas vezes são adquiridas pelas prefeituras locais para planejamento regional e certamente deveriam ser disponibilizadas ao público. Atualmente uma série de imagens recentes, de toda APA de Petrópolis deveria ser adquirida e de preferência disponibilizada de modo a facilitar os trabalhos diversos ligados à re-estruturação regional. Isto inclui os proprietários rurais, que são parceiros naturais na conservação e manejo do meio ambiente.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Cicatrizes no Espaço

Finalmente chegam as primeiras imagens satélite da região serrana vistas do espaço. Segundo o INPE, "A Defesa Civil do Rio de Janeiro está recebendo estas imagens.... e foram concluídos, o processamento e a análise de 50 imagens que permitem mostrar detalhes dos deslizamentos causados pelas chuvas de janeiro". Sem dúvida será uma boa fonte de informações para as equipes de resgate e trabalhos de campo.


As imagens estão disponíveis mas ainda de forma bastante limitada no site do INPE. Foram obtidas do satélite GeoEye, e por meio do International Charter Space and Major Disasters, um consórcio de instituições e agências espaciais para auxílio a países afetados por desastres naturais. As imagens estão disponíveis para download a partir do link: http://www.dpi.inpe.br/public/MCT_Envento_rio_Jan2011/
O ANTES  -

Nesta imagem vemos nítidamente boa cobertura florestal, mas também que o relêvo é dos mais íngremes.
O DEPOIS - Aqui vemos claramente que foi MUITA água, e que esta tinha que escoar por um vale estreito, com pouca calha de rio... Há como recompor esta vegetação? Como seria feito isso? E a população que vive nesta região? É evidente que quem sobreviveu, ainda corre risco em caso de novas chuvas, pois agora, não há mais a manta de vegetação e boa parte do solo para agir como esponja reguladora da vazão de água. 
 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fazendas de Trutas

Embora trabalhando com mapas e Sistemas de Informações Geográficas já faz algum tempo, nunca tinha 'brincado' muito com o Google Maps... Quando comecei a mexer com este, para verificar onde estavam as truticulturas em meu entorno, RJ, SP. e MG, não pensei que ia achar tão divertido colocar outras truticulturas 'no mapa'!  Contactei alguns amigos em diversas partes, diversos estados e aos poucos o 'mapa das trutas'  começou a tomar forma.... Depois que a Trutas da Serrinha - cortesia Gisele Ferreira Amaral me enviou o trabalho  fundamental  a dissertação de Mestrado 'ANÁLISE DO SEGMENTO DE TRUTAS: ABORDAGENS DE CADEIA PRODUTIVA E TURISMO RURAL, de 2007, pude localizar todos os municípios do Brasil que tem truticulturas. E quantas são... Santa Catarina fica em primeiro lugar ! Mesmo assim, foi interessante plotar pontos nos picos das serras, no Espírito Santo e SP. Diversos colaboradores estão inscritos como colaboradores no mapa, de modo que aos poucos ficaremos com uma idéia melhor da distribuição das 'fazendas de trutas' pelo Brasil afora!.  A localização exata com as coordenadas latitude e longitude, permitem ao turista ou visitante, traçar sua rota facilitando sua chegada na propriedade! Isto certamente pode ser um facilitador de negócios, além de ser uma maneira corriqueira de se dirigir a empresas hoje em dia.

Um desdobramento possível deste mapeamento é um 'sistema de alerta' precoce, (early warning system) que poderia contar com esta rede de truticultores colaborando com dados meteorológicos simples como a pluviosidade diária. Se cada um informasse uma 'central' da quantidade de chuva caída na noite anterior, um mapa local poderia dar uma idéia se o total acumulado configuraria algo com que todos deveriam se preocupar realmente. Este parâmetro ambiental, é mais fácil de medir do que a vazão do rio, por exemplo, que exige um pouco mais de investimento. Mas a simplicidade é as vezes campeã.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Com muita FÉ e muita FIRMEZA

Trutas do Firmeza, em Teresópolis
Foto: Sylvia Firmeza

Pedro e Sylvia Reis Firmeza são proprietários de imóvel rural em Teresópolis dede 1989, como também produtores rurais da região desde.1991 e mantém um entreposto especializado em manipulação de trutas desde.2002. São registrados e cadastrados na Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro. Seu negócio inclui o fornecimento de filés de trutas para os melhores restaurantes e supermercados da região serrana e do Rio de Janeiro. Até pouco recebiam pessoas de várias partes do Brasil para conhecer um pouco de sua história e do ciclo da truta. Visitantes que relaxavam, degustavam deliciosos pastéis e pratos a base de trutas, aprendiam e se divertiam muito. Não apenas eram truticultores como eram parceiros certificados do Ministério de Turismo como integrantes do Tour da Experiência.
Foto: Sylvia Firmeza

Em 12/01 fizeram parte da catástrofe na serra, tendo a sorte de saírem vivos bem como toda sua equipe de trabalho. A truticultura no entanto, foi totalmente destruída. Para a safra de 2011 a previsão era de produzir 60.000 trutas, ou seja aproximadamente 20 toneladas. O entreposto de manipulação sofreu danos e ficou parado do dia 12/01 até 27/01, devido à falta de acesso da estrada, como também a falta de luz. Pedro e Sylvia acreditam que o turismo na região será prejudicado por um longo período, pois os atrativos TRUTAS e BELEZA NATURAL, irão demorar muito para se recompor.
Foto: Sylvia Firmeza

Neste momento passam por um período conturbado, pois tem compromisso no sustento de 12 empregados além da própria família, totalizando um quadro de 34 pessoas que dependem desta atividade. Corajosos, pretendem remontar o entreposto em outra área de Petrópolis, porém ainda não tem a previsão de quando esta mudança irá acontecer, pois será um investimento que terá que ser subsidiado pelo governo/bancos, uma vez que é fundamental a injeção de capital para recomeçar. Contam com o apoio do Ministério de Agricultura e Pesca para remontar o trutário, bem como do Ministério do Turismo para recompor o turismo na região serrana.




No momento o entreposto voltou a funcionar, já que eles recebem e manipulam trutas frescas vindas de vários truticultores das serras brasileiras, porém não com toda a capacidade.
          “Somos fortes, guerreiros e vamos em frente com muita FÉ e muita FIRMEZA”
Foto: Sylvia Firmeza



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Trutas no mapa

Alguns dias atrás, quase coloquei meu cérebro em pane, tentando que ele fizesse a sinapse entre a catástrofe das chuvas na serra do RJ e a proximidade dos manaciais daquela região... Conhecí alumas truticulturas há muto tempo atrás, e tive a oportunidade de levar alunos para conhecer um pouco de piscicultura, um pouco de limnologia, e ainda um pouco da vida dos e produtores rurais em ambientes lindos, turísticos com águas limpas vindo das serras com mais de 1000 m...

Escreví para um órgão estadual e um federal, em busca de notícias sobre os efeitos destas chuvas sobre os truticultores da região Sudeste... Onde estariam estas truticulturas? Quantas seriam? Estariam próximas aos deslizamentos? Houve perdas, prejuízos? Ainda aguardo uma resposta, mas creio que esta dificilmente virá...


Assim, resolví puxar pela memória e fazer uma sinapse através da Google Maps, aliás uma sugestão dada por outro amigo deste blog... e assim criei o mapa Trutas em 2011, colocando alguns pontos de referência. Logo caí na tentação 'googliana' de buscar informação na Internet e usar o famoso motor de busca para encontrar 'trutas' RJ, MG, SP... por exemplo. Assim, importei diversos pontos georefernciados já disponíveis! Alguns são de restaurantes na serra, outros de pousadas com truticulturas, ou próximo a truticultores. Convidei alguns amigos para contribuir com mais infos, como 'colaboradores' deste mapa em ainda em construção... Uma solução quase 'Wiki'...! Vamos ver no que dá...!

Se alguém quizer contribuir com nomes e localidades de truticulturas, agradeço. Será bom ver onde estão.  Quem sabe o mapa poderá ser disponibilizado amplamente e ser útil para dinamizar o retorno do turismo 'trutícola' na região serrana!